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20/08/2018

Riviera Maya - Dicas de Viagem



Este foi o segundo ano consecutivo que fui à Riviera Maya. 
No ano passado fui surpreendida pelo meu marido que ofereceu-me a viagem de aniversário e foi uma das experiências mais fantásticas da minha vida.
Este ano decidimos repetir mas, desta vez fomos em família e decidi partilhar um pouco das duas experiência porque, para quem já esteve naquele local mais do que uma vez, como é o meu caso, acho que tenho algumas dicas que podem ser bem valiosas para quem está a pensar viajar para aquele destino. Vejam o vídeo e confirmem a maravilha que é a Riviera Maya.
A viagem do ano passado foi um achado de última hora em que só haviam duas vagas no avião (sorte de principiante) e a deste ano foi comprada num pack promocional da agência Abreu - Aeroporto de Lisboa (com o mesmo operador do ano anterior, Soltour) e tivemos de dar 10% de sinal no acto da compra, em março. O restante foi pago 21 dias antes da viagem. O hotel escolhido foi o mesmo do ano passado: Grand Bahia Príncipe Tulum.
No ano passado, assim que eu soube que ia para aquele destino, comecei a fazer uma busca no Google para perceber os locais a visitar, ver fotos do hotel, procurar toda a informação que fosse útil para ajudar a conhecer melhor a cultura Maya, ler opiniões no TripAdvisor e encontrar grupos de ajuda no facebook. 
Não sou especialista mas aprendi muito e agora partilho as dicas de viagem e espero que façam bom uso das mesmas. Qualquer dúvida que tenham é só dizer e tentarei ajudar.

O que levar na viagem:
Passaporte válido (original e fotocópia): Não é necessário visto. Guardem o passaporte no cofre do hotel e quando saírem para excursões ou passeios levem apenas a fotocópia, é mais seguro.

Dinheiro: Taxa de saída do México - Este valor varia conforme o hotel e deve ficar guardado no cofre do quarto porque só será utilizado no dia da saída do México, imediatamente antes de fazer o check in das malas. É melhor levarem euros, fica mais barato e eles só aceitam dinheiro em pesos ou euros. Não aceitam dólar.

Para a viagem de uma forma geral não levem pesos de Portugal porque o câmbio não é bom (1 euro = 17 ou 18 pesos). Assim que chegarem ao hotel troquem alguns euros no lobby porque o câmbio é mais vantajoso lá (1 euro = 19 pesos) do que em Portugal. Nós optámos por trocar apenas o indispensável para pagarmos o transporte (40 pesos por pessoa) até Playa del Carmem porque lá, arranja-se o melhor câmbio possível (1 euro = 21 ou 21,50 pesos) varia conforme a casa de câmbio e existem imensas.

Gorjetas: Os Portugueses não são muito "bem vistos" no hotel porque não têm o hábito de deixar gorjetas e neste sentido sugiro que troquem alguns euros por pesos mas, em notas de 50 pesos ou mais pequenas porque, podem sempre que necessário, deixar uma gorjeta. Eles dão muito valor às gorjetas, é notório.
Para quem é imprescindível dar gorjetas? Para o bagageiro (no dia da chegada e no dia da saída) porque não têm ordenado e vivem apenas das gorjetas; para quem arruma o quarto (no dia da saída); para quem vos acompanha diariamente no buffet - há sempre um empregado que vai sobressair durante a vossa estadia e é ele quem trás as bebidas, troca os pratos entre refeições, etc. (no dia da saída); nos restaurantes a la carte (é obrigatório sobretudo se for bem atendido). É imperativo dar gorjeta aos mariachis que tocam e cantam à mesa do Restaurante Tequilla e vale bem a pena!

Protector solar: Sempre com protecção 50 porque o sol queima mesmo à sombra. É sempre bom optar por marcas amigas do ambiente.

Vacinas e medicamentos: Não é necessário mas fui à consulta do viajante porque no ano passado fui picada por uma melga e fiquei com os pés num trambolho. Foi uma decisão pessoal para precaver e poder usufruir melhor a minha estadia. Como também pode acontecer a malta ter algum desarranjo intestinal (no nosso caso isso aconteceu no ano passado depois de almoçarmos no buffet da excursão para Sian Ka'an) levar medicamentos para esta situação é um descanso.
Como fui à consulta do viajante em Lisboa (Instituto de Higiene e Medicina Tropical), comprei tudo que o médico indicou e levei as indicações de toma para não me atrapalhar com tantos medicamentos diferentes:
  • Repelente PreVipiq (12 horas)
  • Mosquitino (embalagem com 2 pulseiras)
  • Imodium Rapid
  • UL 250
  • Paracetamol - Segundo o médico não é aconselhado levar Brufen
  • Ciprofloxacina Generis
  • Ebastina Mylan

Todos nós usámos repelente várias vezes ao dia e colocámos uma pulseira mosquitino. Acho que foi a decisão mais acertada porque ninguém teve problemas maiores com as picadas que acontecem na mesma mas, em muito menor quantidade.

Da viagem (Saída de Lisboa - companhia aérea Orbest):
  • É importante e aconselhável chegar ao aeroporto 3 horas antes do voo
  • Ter a bagagem de porão devidamente identificada com o nome e morada de Portugal para caso haja algum extravio - uma mala por pessoa até 23kg
  • Cada um de nós levou uma mochila como bagagem de cabine
  • Quando estamos perto de chegar ao destino os tripulantes do avião distribuem uns papeis que devem ser preenchidos individualmente por cada passageiro e um outro que só é preenchido pelo "chefe de família". É fácil de preencher e os tripulantes ajudam caso alguém tenha dúvidas. Estes papeis são entregues, carimbados e devolvidos junto com o passaporte depois de colocarem o carimbo de entrada no México. Devem ficar guardados juntamente com o dinheiro para pagar a taxa de saída e o passaporte no cofre do quarto.

Sobre o Hotel:
No ano passado não tivemos grandes escolhas porque o meu presente foi escolhido muito em cima da hora e o factor preço/qualidade foi fundamental para nós porque queríamos utilizar algum investimento extra em excursões.
De qualquer modo não tivemos razão de queixa porque o Grand Bahia Príncipe Tulum superou as nossas expectativas e repetimos este ano o mesmo hotel. 

Check in: No ano passado o check in foi feito directamente no balcão do hotel assim que chegámos mas, este ano, implementaram um novo procedimento e o check in foi feito dentro do autocarro, durante a viagem que liga o aeroporto de Cancún ao hotel (cerca de hora e meia de viagem). Durante esta viagem foi-nos dadas várias dicas e cuidados a ter, deram-nos as chaves do quarto, os cartões das toalhas de praia, o papel para buscar a chave do cofre, colocaram-nos a famosa pulseira cor de rosa e informaram sobre uma reunião que ia ter lugar no dia seguinte no teatro do hotel.
Reunião Soltour: Por decisão pessoal não fomos a reunião que acontece na manhã do dia seguinte à chegada ao Hotel, nem no ano passado (porque tivemos uma excursão no dia a seguir a nossa chegada) e nem este ano. Daquilo que ouvimos dizer dos outros passageiros, eles informam sobre a cultura, sobre as excursões, onde irão colocar a informação do autocarro para o dia da partida (na véspera da partida, na parte da tarde, eles colocam um papel na vitrina que está no escritório da Soltour no próprio hotel) e falam sobre a aquisição de um seguro extra para eventuais acidentes que possam acontecer. 
Quartos: São grandes, limpos e têm sempre o frigobar abastecido. Bebam sempre água engarrafada porque todos os dias colocam duas garrafas de litros e meio no quarto e se precisarem de mais é só pedir.
Restaurantes: Existem vários restaurantes e quem tem a pulseira rosa pode usufruir de tudo no Tulum e no Coba. Os buffets são maravilhosos. Não é permitido às pessoas que têm pulseira cor de rosa ir ao Akumal. É o hotel mais caro do Grand Bahia na Riviera Maya.
Dica: Para quem vai ficar durante uma semana há a possibilidade de marcar 3 restaurantes a la carte, no gabinete de Relações Públicas do Hotel (fica perto do lobby). Sugiro que marquem logo no dia da chegada independentemente da hora porque, os melhores restaurantes ficam esgotados rapidamente. O melhor de todos sem sombra de dúvidas é o Dom Pablo (no Tulum) com um serviço e comida muito acima da média e tem dress code. O Tequilla tem um buffet de entradas maravilhoso mas peca em termos de escolha à carta e também no serviço. O ambiente é genial com Mariachis a tocar e cantar em cada uma das mesas. Nâo tem dress code.
O restaurante Gourmet (em Coba) tem uma comida óptima mas o atendimento este ano foi péssimo. No ano passado foi 5 estrelas. Tem dress code.
Cofre do quarto: No ano passado era necessário pagar para poder ter acesso ao cofre mas este ano todos os hóspedes tiveram direito sem custos adicionais à utilização desta facilidade e dá muito jeito. Quando chegarem ao hotel entreguem o papel que vos foi dado no autocarro e levantem o canhão com a fechadura e a chave do cofre.
Toalhas de praia/piscina: Troquem, na recepção do hotel, os cartões que foram entregues no check in (dentro do autocarro) pelas toalhas azuis. Todos os dias podem trocar as toalhas usadas por outras lavadas num quiosque próximo das piscinas.
Praia do hotel: No ano passado estava perfeita mesmo não sendo uma praia com beleza natural porque o hotel delimita o perímetro com umas barreiras artificiais para evitar que os hospedes entrem para dentro do mar. Este ano estava com muitas algas mas mesmo assim foi sempre possível entrar e tomar umas belas banhocas naquela água maravilhosa.
Piscina do hotel: A melhor piscina é aquela que tem os animadores com várias actividades (bingo, zumba, yoga, etc). Está perto do bar do teatro e todos os dias os animadores fazem actividades e convidam as pessoas a participar. Neste hotel não se vê muitas crianças e as que existem estão, regra geral, noutra piscina. A equipa de animação da piscina é extraordinária e trabalham de manhã na piscina e de noite no bar com brincadeiras e danças em que é impossível ficar indiferente.
La Hacienda Dona Isabel: É um tipo de centro comercial com muitas lojinhas e alguns bares, farmácia para uma emergência, discoteca e umas casinhas coloridas muito lindas. Do lado de fora da Hacienda também encontram umas tendas com vendedores locais e dá para negociar qualquer coisa que queiram comprar. Eu adorei a Hacienda e comprei vestidos bordados à mão por 37 euros (uma pechincha), lá dentro comprei de um artista que faz peças únicas, uma Catrina (figura representativa do lado alegre da morte) por 50 euros e t-shirts de marca mexicana e amiga do ambiente por 38 euros o pack de 3 (à nossa escolha).
Natureza: Existem alguns animais (capivaras, guaxinins, iguanas, vários pássaros, etc.) que fazem parte do hotel e segundo o que aprendi foram para lá por iniciativa própria. 
Internet: No lobby do hotel é grátis porém, criaram este ano uma modalidade nova em que pode-se pagar 9 dólares (paguei 7,72€ - câmbio de 01/08/2018) através de cartão de crédito e consegue-se ter internet, durante toda a estadia, a mesma velocidade da internet gratuita, em todo o hotel. É suficiente para estarmos conectados com o mundo e vale a pena. 
Para evitarmos dissabores e surpresas durante a nossa viagem no que respeita às mensagens e chamadas de telemóvel (inclusive com o voice mail) ligámos o modo de voo logo depois da descolagem de Lisboa e só voltámos a ligar o modo normal, depois da aterragem, no nosso regresso. Quem quis falar connosco foi sempre através da rede móvel da internet do hotel, via messenger ou whatsApp.

Sobre o transporte por conta própria: Se forem até a estrada principal, fora do hotel (muita atenção porque eles conduzem muito rápido), irão ver que existem umas carrinhas tipo Van com riscas de cores diferentes (é o transporte comunitário utilizado pelos trabalhadores dos diferentes hotéis). Eles percebem logo que somos turistas e param na berma da estrada para saber para onde queremos ir. De qualquer modo se olharem para o lado direito desta estrada irão ver que existe uma paragem e podem apanhar o transporte ai. Perguntem se vai para a Playa Del Carmem e podem entrar com segurança porque é muito seguro, tem ar condicionado e é uma forma excelente e económica de sair do Hotel por meios próprios. Custa 40 pesos por pessoa cada viagem.
O táxi também é bom e seguro mas como éramos 5 pessoas seria necessário um veículo maior o que faz com que o valor seja mais ou menos de 900 pesos por viagem e não vale a pena uma vez que o transporte comunitário funciona bem e é seguro. No mesmo local em que a carrinha parar em Playa del Carmem é onde devem apanhar o transporte para o regresso. Quando regressarem a carrinha vai parar do outro lado da estrada onde está o hotel e aqui, têm de ter muito cuidado ao atravessar a estrada que é muito larga e como disse antes, eles conduzem muito depressa. Esperem o tempo necessário para atravessar até ao separador do meio e depois para onde está o hotel.
Em Playa Del Carmem vão encontrar uma das maiores avenidas com lojas que vi até hoje (5.ª avenida). É tudo muito caro mas vale a pena por vários outros aspectos.

Sobre as excursões:
No ano passado descobri através do Google, o site da Exploratours, uma empresa de um português (Miguel Castela), completamente desconhecido da minha pessoa até então e, num ápice, o site da Exploratours passou a ser, obrigatoriamente, visitado por mim mais do que uma vez, todos os dias, até ao momento de decisão do que fazer naquela viagem. Li literalmente o site todo, vi os vídeos e imprimi todas as dicas porque nem eu nem o meu marido fazíamos ideia nenhuma de nada. A decisão de formalizar a compra das excursões com o Miguel deu-se sobretudo, depois de eu ter percebido que uma amiga minha, era também, amiga dele no facebook e bastou um telefonema para que ela me dissesse para não hesitar e marcar as visitas porque não nos íamos arrepender. E a verdade seja dita, não nos arrependemos e ficamos apaixonados por aquela cultura através das explicações do Miguel.
Na altura só conseguimos marcar "oficialmente" a excursão para Chichen Itza, Ek Balam, Cenote e Valladolid. A marcação foi feita ainda em Portugal através do e-mail de contacto do site da Exploratour. Foram impecáveis e responderam de imediato. Fizemos o depósito da reserva e enviaram-nos logo a seguir os talões de reserva assim como todas as indicações sobre o que levar, o ponto de encontro e a hora, etc. O valor foi 85€ por pessoa (sem desconto) e demos 40 euros de sinal (20€ por pessoa). É importante salvaguardar que esta empresa faz um desconto de 10 euros por excursão desde que haja a marcação para mais do que um pacote.
No dia da excursão que foi logo no dia seguinte à nossa chegada, o Miguel conseguiu formar um grupo interessado em visitar Tulum, Playa Paraíso, Aldeia Maya e Coba, fora daquilo que é o calendário normal das excursões e então avançamos com a nossa segunda excursão e pagámos 70€ por pessoa (beneficiámos do desconto nesta excursão). Nesta excursão conheci uma das praias mais bonitas que eu tinha visto até então: Playa Paraíso. Este ano não foi possível visitar esta praia porque segundo soubemos estava completamente cheia de algas. Ainda ponderamos ir de táxi para que a nossas filhas e o nosso "genro to be" pudessem ver aquela maravilha porque, não é muito longe do Hotel e o valor de cada viagem rondava os 25 euros. Só não fomos porque com a quantidade de algas que ela tinha, não valia a pena.
Fizemos ainda uma terceira excursão para Sian Ka'an mas, é daquelas excursões que o Miguel pode vender mas não pode acompanhar. Na altura não entendi a razão mas depois de fazer a excursão foi fácil entender esta situação porque, por um lado o grupo tem de ser separado em grupos mais pequenos e por outro só há uma empresa autorizada para fazer esta visita na medida que se trata de uma das maiores reservas naturais do mundo. Foi a excursão mais extenuante que fizemos no ano passado e a única em que o Miguel não pode estar presente.
Este ano e porque fomos em família decidimos repetir a excursão Chichen Itza, Ek Balam, Cenote e Valladolid e mais uma vez foi genial. É nesta excursão que conseguem comprar presentes bem em conta. Levem pesos mas se não tiverem possibilidade de trocar no hotel, o Miguel Castela faz o câmbio. Levem o guarda chuva que está no quarto do hotel para esta visita porque o sol é demasiado forte. Dá um jeitão porque é grande e dá para fazer sombra para pelos menos duas pessoas. Uma dica: antes de saírem de Portugal vejam o filme Apocalypto (do Mel Gibson) porque quando chegarem à chichen Itza vai ser importante para o enquadramento das explicações que o Miguel irá fazer.
Em Chichen Itza negoceiem sempre o preço porque eles começam por pedir um valor alto e depois baixam bastante. É o melhor lugar para as compras desde que saibam negociar. Comprei t-shirts por 6 euros cada.
Inicialmente queríamos fazer a excursão à Isla Contoy e Isla Mujeres mas como é outra excursão que o Miguel só vende e não pode acompanhar, decidimos declinar esta excursão e fazer uma completamente nova com ele, para Holbox. Combinámos esta excursão à distância via whasApp porque ainda não estava divulgada no site da Exploratours e não nos arrependemos porque Holbox é o paraíso na terra. Nesta excursão vivemos momentos inesquecíveis na viagem entre Chiquilá e a ilha de Holbox onde vimos flamingos e tivemos gaivotas a voarem junto ao nosso barco.
No ano passado fizemos uma marotice (duas vezes). Fomos de madrugada e por conta própria, nas carrinhas comunitárias, até a praia de Akumal. A razão desta marotice era porque sabíamos que podíamos estar à vontade para mergulhar e ver as tartarugas sem sermos incomodados por ninguém. Saíamos do hotel às 5h30, vimos o sol nascer já na praia de Akumal e assim que havia alguma claridade mergulhámos numa das experiências mais fascinantes que tive até hoje. Para este efeito levamos de Portugal umas máscaras próprias que adquirimos na Declaton e que facilitou para quem assim como eu, não tem muito jeito com o equipamento tradicional de snorkeling. Este ano não fizemos esta marotice e ouvimos dizer que neste momento a praia está concessionada e as entradas estão completamente vedadas. Para entrar é necessário pagar.
Ficam as dicas e caso tenham alguma dúvida que eu possa ajudar é só dizerem. Boas Férias e divirtam-se!!!

25/05/2018

Já passou um ano inteirinho...


...e ainda consigo lembrar as todas emoções daquele dia e o orgulho em ver-te a alcançar os teus sonhos.
"porque uma vez que tenhas experimentado o voo, caminharás sobre a terra com o olhar posto no céu, porque lá estiveste e para lá queres voltar..."
Leonardo Da Vinci (1452-1519)

19/02/2018

Feliz Aniversário, Dani.

Outro dia tirei-te esta foto junto ao Farol da Ponta da Piedade, no Algarve. O mar estava calmo, o sol que ainda conseguimos vislumbrar à distância parecia estar apenas a nossa espera para se despedir de mais um dia. 
Esta foto é o espelho daquilo que não és, daquilo que não somos porque connosco, diga-se com a nossa família, é sempre tudo uma aventura. Não há calmaria que resista a tua passagem porque és fogo que se vê e a apatia é apenas uma palavra que consta do dicionário dos outros como tantas outras que são designações para os fracos de espírito. Em momentos extremamente difíceis da tua vida, da nossa vida, foste valente e destemida e não foi só por isso mas sempre considerei-te uma força da natureza. Apesar das tuas fragilidades, como todos nós temos e não és diferente, enganem-se aqueles que pensam que podem fazer de ti parva, aqueles que gostam de dar uma no cravo e outra na ferradura, mal sabem eles que estão a provocar um furacão porque no teu caso, o tamanho não é mesmo documento, antes pelo contrário. O teu tamanho petit e mimoso é exactamente o oposto da tua perseverança, da tua força de trabalho, da amizade que tens pelas pessoas de quem gostas e da entrega que tens pela vida, pelo trabalho. É no trabalho que tens conseguido alcançar tudo aquilo que almejas e pelo que sei ainda vais muito longe nem que para isso tenhas de mover montanhas. 
O  está feliz...pelo menos eu sinto que sim e isto é fundamental para teres o equilíbrio que precisas porque eu acho que todos nós temos de deixar as balanças mais ou menos equilibradas, do género daquela coisa do Yin Yang que equilibra as coisas no universo ou feng shui que equilibra as energias da casa, tás a ver?!
Já te tenho dito que eu tinha a tua idade, aquela que fazes hoje...24 anos, quando nasceste. A minha vida mudou para sempre desde o momento que te vi por razões óbvias mas sobretudo porque é praticamente impossível resistir ao teu encanto. 
Feliz Aniversário, Dani. 
Hoje é dia de festa🎂🥂👏👏😍
Be Happy!!!

29/06/2017

DIVÓRCIO - por Arnaldo Jabor

"Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta viver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou no meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano está no seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e seguir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se o seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10kg em um único mês, porque vocês não podem conseguir o mesmo?
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou de apartamento, trocaria o seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe do seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo baton, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões de esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal "estabilidade do casamento" nem ela deveria ser almejada. O mundo muda e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por ai tentando descobrir um novo interessante par. Tenho a certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.
Como vê não existe mágica - existe compromisso, comprometimento e trabalho - é isso que salva casamentos e famílias."
Fonte: citações Arnaldo Jabor

16/12/2016

Postais de Natal [Este foi o da Família Simões]

Tenho uma tradição desde há muito tempo e enquanto tiver saúde irei continuar a mantê-la.
Todos os anos, personalizo os Postais de Natal para oferecer aquelas pessoas que são especiais para mim.
Na verdade, este ano, percebi algo que ainda não tinha realizado ou seja, assim que cada um dos postais está finalizado, coloco-os no envelope e vão directamente para os correios...nunca mais volto a vê-los. Nunca me lembrei de fotografar, um a um, para a posteridade.
Acontece que uma destas pessoas especiais colocou um dos meus postais no facebook e foi com muita emoção que pude perceber que aquele pedaço de papel que tive o cuidado de escolher, aquela decoração que colei estrategicamente e os traços que tive de desenhar (eu sou uma nulidade em desenhos e tive de treinar os traços uma data de vezes, em rascunho, noutro papel) são uma parte do carinho que pretendo transmitir a quem o recebeu. 
O verdadeiro espírito de Natal passa, também, por estas demonstrações de carinho.
Este foi o postal que enviei para a Família Simões. Agradeço a foto, Isabel e ainda bem que gostaram do miminho...foi feito com o coração. 💓

17/11/2016

A negação da perda

No dia em que eu soube que a minha avó tinha sido internada de urgência pensei que tudo ia correr bem. Em nenhum momento tive pensamentos menos positivos sobre a cirurgia ou o pós-operatório. Na minha cabeça, tudo ia correr bem.
Passei a noite numa conversa mental com Deus e os meus pensamentos eram todos de superação.
No dia em que recebi a mensagem, fatídica, de que ela não tinha resistido não queria acreditar. Olhei para todas as fotos que tinha dela e em nenhum momento, durante algumas horas, aquela perda parecia real.
Estranhei a minha "frieza" momentânea e desconhecida porque, sou a emoção em pessoa mas, não demorou muito tempo até eu ter sido assolada por uma tristeza profunda e por um choro que só de recordar, enchem-me os olhos de lágrimas.
Fiquei assim, a chorar, no meu posto de trabalho até à hora de ir embora. Tive de continuar a trabalhar com aquela dor no meu coração, tive de colocar óculos de sol para não assustar ninguém com os meus olhos inchados, tive de atender telefonemas e dar informações com o nariz entupido de tanto chorar...
Naquele dia, tive dois colegas de trabalho que vieram me dar uma palavra de conforto e ao final do dia, fui embora. 
Fui recebida pelo meu marido com o abraço de consolo mais forte que qualquer palavra.
Nesta noite antes de me deitar, tive uma experiência única com um ser voador branco, ao melhor estilo da Theresa Caputo...

21/10/2016

Aeroporto LPPR

Sempre gostei de observar as emoções que as pessoas vivem nos aeroportos sobretudo, nas chegadas. 
Desta vez coube-me viver na 1.ª pessoa uma emoção e um orgulho ímpar. 
Não foi nas chegadas nem nas partidas, foi na porta de embarque. Lá estava eu de pé, junto aquela enorme vidraça, a olhar para onde o nevoeiro me permitia, a tentar adivinhar nas movimentações exteriores o momento certo. Eu sabia que estava para breve e deixei-me ficar naquele lugar até que o momento chegou...

Eu amo Lisboa

14/10/2016

A Estrela que brilha no céu

A Avó foi e será, sempre, um exemplo de mulher!
Tive sorte em ouvir os seus conselhos e da última vez que estivemos juntas pude ouvir palavras tão lindas de carinho que jamais esquecerei. O nosso sorriso nesta fotografia não reflete de todo a cumplicidade que nos uniu.
Para além de avó foi a melhor madrinha do mundo e estou completamente convencida que a sua energia apenas mudou de lugar...está num outro plano.
Um dia eu sei que a avó me vai receber de braços abertos, como sempre o fez.
Eu amo você, Avó. Pela última vez peço, Bença.
Descansa em paz e obrigada por ter conseguido apaziguar um pouco a dor que sinto no meu coração destroçado.

27/09/2016

Kika, temos saudades até ao infinito...




Nunca pensei que escrever sobre ti fosse tão difícil sobretudo, quando só nos trouxeste alegrias e divertimento. Tinhas a capacidade de nos conhecer tão bem, cada um de nós na sua individualidade e sempre soubemos que o teu sentimento para connosco era verdadeiro, puro e sem nenhuma contrapartida. Desde muito cedo demonstraste uma perícia acima da média relativamente às nossas movimentações e rotinas e até ficares doente, em novembro de 2015, eras o animal mais atento e inteligente que podia existir na face da terra. Foram tantas as demonstrações de preocupação que tiveste connosco que é difícil eleger a mais interessante nesta homenagem. Recordo com muita emoção um episódio que se passou num hotel em Bordeaux, quando só te deitaste depois de teres ido verificar que cada um de nós já estávamos deitados e prontos para dormir, inclusive, a necas. Foi, talvez, das atitudes mais extraordinárias que presenciei.  
Sabias distinguir o barulho do motor de cada um dos nossos carros e vinhas ter com cada um de nós, em modo festa, independentemente do nosso estado de humor.
Escolheste o teu dono na primeira noite que foste para a nossa casa e este amor incondicional continuou até ao teu último suspiro. Gostavas indubitavelmente de todos lá em casa mas, todos nós sabíamos que tinhas uma cumplicidade especial pelo teu dono. Trouxeste-nos as maiores alegrias que alguma vez pudéssemos, sequer, imaginar ser possível vivenciar antes de te termos connosco e, não foram só momentos felizes, também trouxeste aventuras como a corrida que deste ao cavalo em São Domingos de Rana ou ao veado que teimaste em perseguir numa intensa incursão pela floresta, junto à nossa casa da Bélgica. Foste uma mãe exímia e nunca te agradeci o suficiente teres permitido a nossa participação activa durante os partos que tiveste. Foste valente mesmo quando no último parto, tiveste à beira da morte e entre um imenso desespero tentámos de tudo para que pudesses recuperar. Quando a médica ditou a sentença de que aquela noite seria crucial para a tua recuperação, chorei por pensar que não te voltaria a ver entre nós. Foste uma sobrevivente e nada me tira da ideia que uma grande parte da tua recuperação deveu-se à força de vontade que tinhas em não nos deixar. Gostavas tanto ou mais de nós, como nós de ti!
Quando a família percebeu, depois de muita negação, que o dia em que não havia mais nada a fazer para diminuir o sofrimento e a dor tinha chegado e que não havia mais nada que pudéssemos recorrer para trazer de volta aquele olhar de felicidade porque, o tempo não volta para trás e ninguém nos ensinou que as decisões mais difíceis são aquelas que transbordam o mais profundo amor e respeito que temos te ter…é difícil, muito difícil.
Espero que tenhas escutado todas as minhas palavras enquanto entravas naquele sono sem regresso e que o meu rosto colado ao teu focinho tenha trazido algum alento pois, não estavas sozinha.
O teu território é agora um espaço vazio e sem nenhuma piada mas, quero acreditar que a tua energia foi alegrar outra dimensão.
Aproveita para brincares com os nossos anjinhos e coloca a conversa em dia com a Necas. 
Vocês fazem parte de nós para todo o sempre!
É nosso desejo que estejas em paz, sem dores e feliz.

21/09/2016

Eu na Família de Militar - parte I [versão Brasileira]

A vida militar entrou na minha família quando eu tinha à volta de 10 anos de idade, com o ingresso do meu irmão mais velho na Academia da Força Aérea Brasileira. 
Naquela altura eu já gostava dos aviões e passava a maior parte do tempo a olhar para o céu quando ouvia aquele barulho característico das aeronaves. Tinha a sorte de morar em Brasília e muitas vezes era brindada com passagens do caça Mirage, colocado na Base Aérea de Anapólis, no Planalto Central do Brasil. Por aquela altura da minha vida não havia nenhum recurso tecnológico disponível que me pudesse permitir reconhecer outro avião. Na verdade, o Mirage era a única aeronave militar que eu conhecia de longe, pelo barulho característico que fazia.
Os aviões civis, comecei a reconhecê-los pelas constantes idas ao aeroporto de Brasília pois, visitar aquele espaço era um dos hobbies de domingo de muitas famílias Candangas. Tenho imensas fotos de infância no enorme terraço aberto ao público e que permitia uma visão única e privilegiada das descolagens e aterragens de todos os aviões que por ali passavam. Eu ainda era um pingente de pessoa mas adorava de paixão aquele barulho infernal dos aviões e era só vê-los a serem "estacionados" por alguém que para mim era muito próximo do super-homem. Só mais tarde, depois de casada é que percebi que os aviões não são para estacionar mas sim para taxiar e, é verdade, casei com o super-homem.
Eu, os meus pais e o meu irmão mais velho no Aeroporto de Brasília - Década de 70
Tendo em conta que a Academia da Força Aérea Brasileira está localizada em Pirassununga, uma distância de quase 800Km de Brasília, só via o meu irmão nas férias grandes.
O meu segundo contacto com a vida militar aconteceu quando eu tinha à volta de 15 anos e o meu outro irmão teve de ir cumprir o serviço militar obrigatório. Lembro-me que ele escolheu ir para os Fuzileiros Navais e foi. Esteve longe de casa uns valentes dias. Quase arrisco dizer que esteve incontactável mais de um mês antes de poder receber uma visita nossa. Antes de o irmos visitar ele ligou-nos de uma cabine telefónica pois, para os menos informados, não havia os facilitismos dos telemóveis como hoje em dia. O telefonema foi rápido porque uma chamada era cara e foi basicamente para dizer o dia e a hora da visita e ainda teve tempo para pedir para levarmos um pudim de leite condensado.
Para além de mim e dos meus pais não me lembro se a minha irmã também estava connosco. Chegados ao quartel dos Fuzileiros Navais tivemos de dar o nome do meu irmão. Foi nesta altura que percebi que o meu irmão era conhecido, oficialmente, pelo apelido (sobrenome) de família e não pelo nome próprio. Na FAB não era assim com o meu irmão mais velho e por isso achei piada quando chamaram pelo Soldado Alvarenga, utilizando o nosso nome de família. Foi fixe!
Chovia torrencialmente e foi-nos dada indicações para aguardarmos num local resguardado. Assim o fizemos e ficamos a observar os movimentos das outras famílias com os respectivos filhos. 
Começamos a ver de longe um rapaz a correr com a compleição física do meu irmão mas, tivemos dúvidas até ao momento em que ele chegou ao pé de nós. Era mesmo ele, mantinha o corpo atlético como sempre teve mas, estava com um ar abatido, com o camuflado encharcado da chuva e completamente careca. Acho que todos tivemos um choque inicial sobretudo, depois de o ver devorar em questão de minutos, o pudim que nos tinha pedido para levar. Era comer pudim às colheradas como eu nunca tinha visto na vida. 
Depois daquela fase inicial e quando o meu irmão regressou à casa, percebi que a tropa era coisa boa, muito boa mesmo. Como venho de uma família extremamente conservadora onde as meninas brincam de boneca e os meninos de carrinhos e blá, blá, blá, imaginem o que é ver o meu irmão fazer a cama como ninguém fazia lá em casa. Chegou a lavar e engomar a farda, coisa inimaginável naquela altura numa família como a minha. Aquilo era trabalho de mulher e, talvez por este motivo, nunca mais esqueci este episódio, foi lindo!
Para os mais distraídos na leitura deste texto, eu disse engomar e não passar a farda. É que nesta matéria de fardas os Fuzileiros eram super rigorosos e a farda tinha de levar goma para ficar com os vincos nos locais certos. 
Perguntam-me vocês, como é que eu sei isso? Porque em determinada altura negociamos a minha ajuda nesta árdua e minuciosa tarefa de engomar a bela da farda, tão simples quanto isso. Em contrapartida ele ofereceu-me um pólo lindo de morrer da Benetton que durou anos.
Acabada a experiência nos Fuzileiros o meu irmão concorreu para o Bombeiros Militares do Distrito Federal, entrou e neste momento é Coronel. Já esteve como operacional e responsável em várias operações de resgate no território brasileiro assim como internacional.
A minha quarta experiência estava a ser planeada em pormenor por mim e supostamente iria acontecer quando eu terminasse o meu curso superior em Educação Física. Iria ser uma experiência na primeira pessoa. 
Ao fim do 1.º ano do meu curso na universidade, casei e abracei o verdadeiro projecto da minha vida: a minha Família! 
Casei com um militar Português. 
O seguimento desta experiência de quase 30 anos com ele e, posteriormente, com as nossas filhas vai ter de ficar para outro dia...
...na parte II [versão Portuguesa].
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22/08/2016

Aquele momento...

...em que ela percebeu que a juventude de uma vida longínqua a tornou numa pessoa altamente adulta mas, desconhecida daqueles que a viram nascer e crescer. Por instantes aquele momento pareceu-lhe estranho sobretudo porque, por vezes, pensa-se que a natural ligação de sangue é suficiente para explicar tudo e, na verdade, não, não é.   
Ela é a mesma pessoa mas a distância do anos...e foram longos anos de distância, tornaram-na numa "desconhecida" difícil de entender, em particular, para aqueles que julgaram que o tempo ficou parado e que ela continuaria a ser a mesma menina de outrora, fácil de manipular, sempre pronta para ouvir e obedecer no mais profundo silêncio. Aquilo que a tornou diferente foi a capacidade de conseguir se desligar das imposições sanguíneas pouco positivas ou meramente circunstanciais porque, para ela, o tempo não parou e a menina ingénua ficou lá atrás, no passado. Ela passou a acreditar mais facilmente numa amizade verdadeira do que num laço genético tóxico e deixou de se preocupar com as ilações de conveniência.
Lá no fundo, ela ainda é uma menina obediente, sensível e frágil e será sempre, aos olhos de quem lhe consegue ver a alma contudo, a menina fez emergir uma mulher cheia de garra, boa disposição e excelentes energias. Uma mulher que não se coíbe em ser feliz e fazer o maior esforço possível para o dia de amanhã ser muito melhor que o de hoje. Uma mulher que gosta de rir, de fazer rir, de cantar, de dançar, de apontar o dedo mas também, de se olhar no espelho quando falha. 
Aquela menina aprendeu a ver a vida pelos seus olhos e deu olhos a ver, a quem ela fez nascer. A estes seres maravilhosos que lhe saíram de dentro das entranhas deu liberdade suficiente e ensinou-lhes o sentido da responsabilidade e mais do que tudo, do amor. 
Aprendeu a ler-lhes no olhar e deixou-lhes entrar para sempre na sua alma. Elas sim conhecem-na na totalidade, o bem o o menos bem porque isto de ser perfeito é só nos contos de fada e ela é, na verdade, genuinamente autêntica...nada mais nada menos.

27/07/2016

#Fardamento do Marido [acidentes de percursso]

Tenho de partilhar o sucedido e atire lá a 1.ª pedra quem nunca sofreu com esta situação.
A farda com a qual o marido voa, actualmente, até tem alguma qualidade se comparada com as anteriores (da vida civil) mas, em termos de quantidade, fica muito aquém de quem gosta de andar limpinho e impecável. Como a malta lá de casa é na sua totalidade adepta do limpinho e cheiroso, tenho de fazer alguma ginástica para o senhor comandante andar impecável. Mesmo com a minha vasta experiência em lavar, engomar e coser as várias fardas dele na vida militar (n.º 1, n.º2, fato de voo, blusão de voo, etc), alguns acidentes (felizmente poucos) aconteceram ao longo dos anos e com os erros fui aprendendo a ter mais cuidado.
Acontece que agora na vida civil, não há possibilidade de se comprar (pelo menos foi o que eu percebi) outra peça se algo de inusitado acontecer. Ainda vou confirmar se é mesmo assim mas, o que interessa é que eu consegui fazer algo que já não acontecia há anos e desesperei. Para quem está habituado a lavar roupa, sabe que é da praxe separar as peças brancas, as de cores e as escuras. As temperaturas e os cuidados a ter são diferentes, é algo perfeitamente normal neste tipo de tarefa.
Fiz uma máquina cheia de roupa branca e por descuido não me lembrei que já estava na máquina, uns calções bordeaux. 
Fiquei como a personagem do vídeo abaixo quando fui buscar a roupa para estender e ao invés de peças brancas, tinha uma máquina cheia de roupa cor de rosinha...o que vale é que só tinha uma camisa da farda do meu marido naquela máquina e nem vos conto as manobras que fiz para ter a situação minimamente controlada e, esta, é outra das capacidades que a mulher de um Piloto militar tem.

13/07/2016

Tinha mesmo de escrever

Imagem: Força Aérea Portuguesa (Facebook Oficial)
"Voei" poucas vezes no C130 e quando o fiz, estava com toda a minha família à bordo. As minhas filhas eram pequenas, tiveram o privilégio de ir ao cockpit e viram o céu de outra perspectiva. 
Eu não estava em casa no dia 10/07/2016, quando, por aquilo que me disseram vezes sem conta, passou em rodapé em todos os canais de televisão, uma nota do fatídico acidente com o avião C130H, da Força Aérea Portuguesa. 
Eu soube do sucedido pelo telefone e de imediato senti aquela sensação horrível, aquela angústia que aperta tanto o coração que nos deixa completamente sem chão. Já senti esta sensação outras vezes...mais do que alguma vez pudesse imaginar que ia sentir e sempre com a mesma tristeza e dor. 
Eu venho de uma família de militares e continuo numa família de militares. Sou casada com um Piloto Aviador que esteve a maior parte da vida dele, da nossa vida, na Força Aérea Portuguesa. 
A família de um Piloto Aviador, não está preparada para nada disso que aconteceu. Enquanto que eles, os Pilotos, fazem aquilo que gostam e sabem o risco que correm diariamente nós, esposas, mães e filhos tentamos não pensar muito nisso e sem querer ou saber, vivemos o dia a dia suspensos numa linha muito tênue de que pode ser o último dia e esperando que este momento nunca chegue. 
Da minha perspectiva e observação, ser Piloto Militar não é tarefa fácil e nem poderia ser de outra forma. Os testes que eles têm de fazer para serem diferenciados no meio de tantos candidatos têm de ter fundamento útil para a nação, os anos de estudo até terem a tão desejada asa ao peito têm de valer mais do que aquilo que foram as notas de rodapé nos canais de televisão...
Aos militares que sobreviveram ao acidente desejo a melhor recuperação possível.
As vitimas mortais deste acidente, os verdadeiros heróis de Portugal, deixaram as suas famílias e amigos sem poderem dizer adeus...estão a voar mais alto, muito alto e irão continuar a voar eternamente porque são, militares da Força Aérea Portuguesa!

04/07/2016

Air Race Lisboa - Internacional Airshow

Na falta de palavras para descrever a emoção de estar presente na iniciativa, deixo a minha visão do lado de cá, na óptica do meu telemóvel. 







13/06/2016

Mielopatia degenerativa - Uma realidade na minha família

Quando se gosta de um animal como parte integrante da família tenta-se encontrar respostas para o sofrimento que se aproxima, para o inevitável.
Tive sempre algumas dificuldades em passear a nossa cadela pastor alemão  ao longo destes quase 13 anos, que ela está na nossa família, devido à força, energia e espírito de liberdade típico dos pastores alemães. Pelo menos uma vez fui literalmente arrastada por ela quando tentou  perseguir um cavalo.
Por mais que desejássemos fazê-la uma cadela educada e sociável com os outros cães, foi algo que nunca conseguimos fazer. Nos primeiros anos de vida andou em treinamento mas manteve sempre a sua personalidade de cão de guarda, fiel à família e do mais fiel que pode haver.
Ela até poderia fazer o pino de tão inteligente que sempre foi mas, quando se tratava de estar ao pé de outros cães a coisa mudava de figura sobretudo, se outros canídeos lhe viessem chatear cheirar, no seu diâmetro de conforto. 
Aquele olhar meigo e doce, aqueles olhos castanhos cor de mel olham agora para nós, como se nos perguntasse diariamente: o que se passa comigo?
Desde que estamos a viver no campo notamos algumas mudanças que a princípio, não nos pareceu sintoma de uma doença.
Como eu disse anteriormente, no início todos achávamos alguma piada à forma como ela fazia as necessidades quando íamos passear. Para fazer xixi ainda conseguia agachar e talvez por esta razão não relacionámos que estivesse a ficar doente. O que começou a ser estranho era a forma como ela começou a fazer cocó pois, fazia-o sem parar de andar e arrastava ligeiramente as patas traseiras. Cheguei a comentar isto com várias pessoas amigas e todos diziam o mesmo ou seja, vai na volta e a cadela está tão contente por estar no campo com tantas coisas para cheirar que tem de aproveitar todos os instantes para cheirar tudo o que puder mesmos que tenha de fazer cocó ao mesmo tempo.
Voltei a passeá-la sozinha e ainda o fiz durante alguns meses com ela a manter este padrão de arrastar as patas traseira quando ia começar a fazer cocó.
Foi num domingo, em novembro de 2015, que fui fazer o passeio habitual com ela e tudo ficou literalmente diferente desde então. De notar que o percurso não era longo nem difícil mas, tornou-se num calvário. Em determinado momento do passeio ela deixou-se cair depois de fazer xixi e assim ficou sem conseguir levantar.  Foi como se ficasse paralisada das pernas traseiras de um momento para o outro e aquele olhar meigo e doce continuava a olhar para mim cheia de dúvidas e eu completamente à nora, sem saber o que estava a acontecer sem saber como ajudar, sem nenhum carro que passasse nas redondezas e que eu pudesse pedir ajuda, sem nenhum vizinho que eu pudesse chamar para me trazer um carrinho de mão ou algo que valesse a pena para transportar a minha kika com quase 40 kilos, sem o meu marido em Portugal, sem as minhas filhas ao pé de mim e eu que não podia fazer nenhum esforço físico pois estava recém operada. As lágrimas não tardaram a correr pelo meu rosto e no meio de tanta emoção, sentei-me ao lado dela e fiz-lhe festinhas, muitas festinhas e disse para ela ter calma que tudo aquilo ia passar. Tive de manter a calma pois não tinha outra opção. Depois de alguns minutos a descansar ela conseguiu dar uns passos e voltou a cair nas patas traseiras. Fizemos o percurso de regresso à casa todo assim e a Kika nunca mais voltou a ser como era, fisicamente claro.
Na semana seguinte tivemos de chamar o veterinário à nossa casa e a Kika foi fazer exames de diagnóstico ao Centro Veterinário. Para além dos vários bicos de papagaio, ela tem uma doença que ataca sobretudo pastores alemães entre o 5.º e o 14.º anos de vida, a mielopatia degenerativa, uma doença medular sem tratamento e sem cura.
Aquilo que tentamos fazer diariamente é oferecer amor, muito amor, bem estar e qualidade de vida, até não ser mais possível.
Neste momento ela já não consegue controlar as necessidades fisiológicas e está cega de um olho mas é amada como no 1.º dia em que chegou à nossa casa.
Temo o pior e partilho esta experiência na expectativa de ajudar outras famílias que estejam a passar pelo mesmo.

23/05/2016

Hoje é o dia da Mãe

Mãe...
A gigantesca distância que existe entre nós é meramente factual e tentarei nunca mais te julgar por isso.
Devo entretanto, dizer-te muito claramente que não tens culpa de nada, ninguém tem e ao mesmo tempo todos temos, acho eu. Trato-te por tu porque é assim o tratamento que eu e as minhas filhas temos umas com as outras. É carinhoso, mostra proximidade e sobretudo, a grande e síncera amizade que nos une como mãe e filhas.
Demorei imensos anos e julgo que foram os suficientes para escrever esta mensagem. Foi preciso que eu percebesse que as famílias não são perfeitas como eu pensava que eram quando tinha 15 anos, que eu pudesse perceber que as mães, não são todas iguais mesmo que eu teimasse em querer que minha fosse como eu sempre sonhei que fosse.
Contigo aprendi a interiorizar aprendizagens pessoais que me foram muito úteis quando fui mãe e é exactamente por este motivo que depois de estar longe tantos anos (física e sentimentalmente) me sinto fortemente compelida em escrever esta mensagem.
Julgo que te farei feliz se te disser que me lembro de alguns momentos felizes na nossa vivência, eles existiram e sabes que mais? Eu fui muito feliz. Não me recordo da festa do meu 1.º aniversário, apesar de haver fotos que o comprovem mas, lembro-me já bastante crescida de me deitar no teu colo por alguns momentos e sentir o teu cheiro. Nunca mais me esquecerei, foi mágico.
Contigo aprendi que quando eu fosse mãe das minhas filhas, tinha de falar com elas sobre todos os assuntos. Nunca na vida iria permitir que elas soubessem da menstruação pelas colegas da escola, como eu soube, que tivessem vergonha ou medo de falarem de qualquer assunto mesmo sabendo que eu me ia passar da cabeça com algum disparate que tivessem feito, não conceberia não lhes dizer que as amo várias vezes por dia e ouvir da voz delas a mesma expressão e sentimento. Eu tinha de fazer diferente daquilo que me aconteceu, eu tinha de mudar o filme pois, doutra forma, eu estaria a repetir uma película gasta pelo tempo. Julgo que esta é uma das lições a que me propus viver quando escolhi ser tua filha e só agora sinto-me em condições de expressar o meu agradecimento pelo facto de tudo o que eu vivi contigo me ter ajudado a ter crescido como mãe, como pessoa. 
Até há pouco tempo eu não percebia a razão pela qual a nossa relação mãe/filha era tão estranha mas, agora percebo. Ambas tivemos de viver estas experiências para crescermos como seres humanos e para as nossas almas ficarem mais evoluídas.
Só consegui este género de aprendizagem porque prometi a mim própria ainda muito jovem que tentaria ser uma pessoa melhor, todos os dias da minha vida, custasse o que custasse. 
Eu tive medo, medo que a nossa realidade mãe/filha fosse única no mundo, medo da incompreensão, medo das opiniões dos outros, medo das aparências, medo de deixar passar a oportunidade para te dizer que apesar de te amar imenso porque és a minha mãe, não podia permitir que me magoasses mais...e sabes mãe, o sofrimento e a angústia acaba exactamente quando tem de acabar, no momento certo. 
Imagino que a tua infância não tenha sido fácil e não encontro outra explicação para tantas mágoas interiorizadas e tantos recalcamentos. Tenho pena que nunca tenhas tido a capacidade de desabafar connosco sobre aquilo que te apoquentou, teria sido muito mais fácil para todos nós. Teria sido menos penoso para ti...
Sou uma pessoa cheia de defeitos mas deves reconhecer que tentei, sempre, ser uma filha exemplar. Esta tentativa de agradar transformou-me numa pessoa muito exigente a nível pessoal, à procura da perfeição. É um defeito chato que não me permite levar a vida de forma descontraída. 
Tentei fazer com que tivesses orgulho em mim como criança, jovem, estudante, mulher e, sabes mãe, não viverei mais na sombra de uma ilusão, não me permito sofrer mais um dia sem dizer-te que também tu não mereces sofrer.  
Este ano perdi uma pessoa de quem eu gostava imenso e esta perda fez com que a minha perspectiva da vida se alterasse quase completamente.
Se calhar os meus irmãos não irão perceber patavina daquilo que aqui escrevo, dos sentimentos que carregam cada uma destas palavras mas, tenho a certeza que a mãe entenderá, tenho a certeza que sim.
Esta é uma conversa nossa e de quem souber interpretá-la de forma correcta. Não é uma conversa de cobrança, é na verdade um agradecimento pois, sou quem sou e agradeço-o com imenso orgulho a pessoa que sou, a ti, mãe.
Podemos ficar em paz uma com a outra? Se quiseres e te sentires confortável contigo própria, podes dizer baixinho só para o teu coração ouvir: Sim, filha. Podemos ficar em paz uma com a outra e sabes que mais? Eu te amo... 
Para mim seria suficiente.

22/05/2016

Estamos à tua espera

Eu, a Kika, favas com entrecosto, pimenta de cheiro (não é para meninos), arroz integral, salada da nossa horta, uma piscina e...felicidade!