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29/06/2017

DIVÓRCIO - por Arnaldo Jabor

"Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta viver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou no meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano está no seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e seguir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se o seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10kg em um único mês, porque vocês não podem conseguir o mesmo?
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou de apartamento, trocaria o seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe do seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo baton, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões de esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal "estabilidade do casamento" nem ela deveria ser almejada. O mundo muda e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por ai tentando descobrir um novo interessante par. Tenho a certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.
Como vê não existe mágica - existe compromisso, comprometimento e trabalho - é isso que salva casamentos e famílias."
Fonte: citações Arnaldo Jabor

17/11/2016

A negação da perda

No dia em que eu soube que a minha avó tinha sido internada de urgência pensei que tudo ia correr bem. Em nenhum momento tive pensamentos menos positivos sobre a cirurgia ou o pós-operatório. Na minha cabeça, tudo ia correr bem.
Passei a noite numa conversa mental com Deus e os meus pensamentos eram todos de superação.
No dia em que recebi a mensagem, fatídica, de que ela não tinha resistido não queria acreditar. Olhei para todas as fotos que tinha dela e em nenhum momento, durante algumas horas, aquela perda parecia real.
Estranhei a minha "frieza" momentânea e desconhecida porque, sou a emoção em pessoa mas, não demorou muito tempo até eu ter sido assolada por uma tristeza profunda e por um choro que só de recordar, enchem-me os olhos de lágrimas.
Fiquei assim, a chorar, no meu posto de trabalho até à hora de ir embora. Tive de continuar a trabalhar com aquela dor no meu coração, tive de colocar óculos de sol para não assustar ninguém com os meus olhos inchados, tive de atender telefonemas e dar informações com o nariz entupido de tanto chorar...
Naquele dia, tive dois colegas de trabalho que vieram me dar uma palavra de conforto e ao final do dia, fui embora. 
Fui recebida pelo meu marido com o abraço de consolo mais forte que qualquer palavra.
Nesta noite antes de me deitar, tive uma experiência única com um ser voador branco, ao melhor estilo da Theresa Caputo...

14/10/2016

A Estrela que brilha no céu

A Avó foi e será, sempre, um exemplo de mulher!
Tive sorte em ouvir os seus conselhos e da última vez que estivemos juntas pude ouvir palavras tão lindas de carinho que jamais esquecerei. O nosso sorriso nesta fotografia não reflete de todo a cumplicidade que nos uniu.
Para além de avó foi a melhor madrinha do mundo e estou completamente convencida que a sua energia apenas mudou de lugar...está num outro plano.
Um dia eu sei que a avó me vai receber de braços abertos, como sempre o fez.
Eu amo você, Avó. Pela última vez peço, Bença.
Descansa em paz e obrigada por ter conseguido apaziguar um pouco a dor que sinto no meu coração destroçado.

21/09/2016

Eu na Família de Militar - parte I [versão Brasileira]

A vida militar entrou na minha família quando eu tinha à volta de 10 anos de idade, com o ingresso do meu irmão mais velho na Academia da Força Aérea Brasileira. 
Naquela altura eu já gostava dos aviões e passava a maior parte do tempo a olhar para o céu quando ouvia aquele barulho característico das aeronaves. Tinha a sorte de morar em Brasília e muitas vezes era brindada com passagens do caça Mirage, colocado na Base Aérea de Anapólis, no Planalto Central do Brasil. Por aquela altura da minha vida não havia nenhum recurso tecnológico disponível que me pudesse permitir reconhecer outro avião. Na verdade, o Mirage era a única aeronave militar que eu conhecia de longe, pelo barulho característico que fazia.
Os aviões civis, comecei a reconhecê-los pelas constantes idas ao aeroporto de Brasília pois, visitar aquele espaço era um dos hobbies de domingo de muitas famílias Candangas. Tenho imensas fotos de infância no enorme terraço aberto ao público e que permitia uma visão única e privilegiada das descolagens e aterragens de todos os aviões que por ali passavam. Eu ainda era um pingente de pessoa mas adorava de paixão aquele barulho infernal dos aviões e era só vê-los a serem "estacionados" por alguém que para mim era muito próximo do super-homem. Só mais tarde, depois de casada é que percebi que os aviões não são para estacionar mas sim para taxiar e, é verdade, casei com o super-homem.
Eu, os meus pais e o meu irmão mais velho no Aeroporto de Brasília - Década de 70
Tendo em conta que a Academia da Força Aérea Brasileira está localizada em Pirassununga, uma distância de quase 800Km de Brasília, só via o meu irmão nas férias grandes.
O meu segundo contacto com a vida militar aconteceu quando eu tinha à volta de 15 anos e o meu outro irmão teve de ir cumprir o serviço militar obrigatório. Lembro-me que ele escolheu ir para os Fuzileiros Navais e foi. Esteve longe de casa uns valentes dias. Quase arrisco dizer que esteve incontactável mais de um mês antes de poder receber uma visita nossa. Antes de o irmos visitar ele ligou-nos de uma cabine telefónica pois, para os menos informados, não havia os facilitismos dos telemóveis como hoje em dia. O telefonema foi rápido porque uma chamada era cara e foi basicamente para dizer o dia e a hora da visita e ainda teve tempo para pedir para levarmos um pudim de leite condensado.
Para além de mim e dos meus pais não me lembro se a minha irmã também estava connosco. Chegados ao quartel dos Fuzileiros Navais tivemos de dar o nome do meu irmão. Foi nesta altura que percebi que o meu irmão era conhecido, oficialmente, pelo apelido (sobrenome) de família e não pelo nome próprio. Na FAB não era assim com o meu irmão mais velho e por isso achei piada quando chamaram pelo Soldado Alvarenga, utilizando o nosso nome de família. Foi fixe!
Chovia torrencialmente e foi-nos dada indicações para aguardarmos num local resguardado. Assim o fizemos e ficamos a observar os movimentos das outras famílias com os respectivos filhos. 
Começamos a ver de longe um rapaz a correr com a compleição física do meu irmão mas, tivemos dúvidas até ao momento em que ele chegou ao pé de nós. Era mesmo ele, mantinha o corpo atlético como sempre teve mas, estava com um ar abatido, com o camuflado encharcado da chuva e completamente careca. Acho que todos tivemos um choque inicial sobretudo, depois de o ver devorar em questão de minutos, o pudim que nos tinha pedido para levar. Era comer pudim às colheradas como eu nunca tinha visto na vida. 
Depois daquela fase inicial e quando o meu irmão regressou à casa, percebi que a tropa era coisa boa, muito boa mesmo. Como venho de uma família extremamente conservadora onde as meninas brincam de boneca e os meninos de carrinhos e blá, blá, blá, imaginem o que é ver o meu irmão fazer a cama como ninguém fazia lá em casa. Chegou a lavar e engomar a farda, coisa inimaginável naquela altura numa família como a minha. Aquilo era trabalho de mulher e, talvez por este motivo, nunca mais esqueci este episódio, foi lindo!
Para os mais distraídos na leitura deste texto, eu disse engomar e não passar a farda. É que nesta matéria de fardas os Fuzileiros eram super rigorosos e a farda tinha de levar goma para ficar com os vincos nos locais certos. 
Perguntam-me vocês, como é que eu sei isso? Porque em determinada altura negociamos a minha ajuda nesta árdua e minuciosa tarefa de engomar a bela da farda, tão simples quanto isso. Em contrapartida ele ofereceu-me um pólo lindo de morrer da Benetton que durou anos.
Acabada a experiência nos Fuzileiros o meu irmão concorreu para o Bombeiros Militares do Distrito Federal, entrou e neste momento é Coronel. Já esteve como operacional e responsável em várias operações de resgate no território brasileiro assim como internacional.
A minha quarta experiência estava a ser planeada em pormenor por mim e supostamente iria acontecer quando eu terminasse o meu curso superior em Educação Física. Iria ser uma experiência na primeira pessoa. 
Ao fim do 1.º ano do meu curso na universidade, casei e abracei o verdadeiro projecto da minha vida: a minha Família! 
Casei com um militar Português. 
O seguimento desta experiência de quase 30 anos com ele e, posteriormente, com as nossas filhas vai ter de ficar para outro dia...
...na parte II [versão Portuguesa].
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22/08/2016

Aquele momento...

...em que ela percebeu que a juventude de uma vida longínqua a tornou numa pessoa altamente adulta mas, desconhecida daqueles que a viram nascer e crescer. Por instantes aquele momento pareceu-lhe estranho sobretudo porque, por vezes, pensa-se que a natural ligação de sangue é suficiente para explicar tudo e, na verdade, não, não é.   
Ela é a mesma pessoa mas a distância do anos...e foram longos anos de distância, tornaram-na numa "desconhecida" difícil de entender, em particular, para aqueles que julgaram que o tempo ficou parado e que ela continuaria a ser a mesma menina de outrora, fácil de manipular, sempre pronta para ouvir e obedecer no mais profundo silêncio. Aquilo que a tornou diferente foi a capacidade de conseguir se desligar das imposições sanguíneas pouco positivas ou meramente circunstanciais porque, para ela, o tempo não parou e a menina ingénua ficou lá atrás, no passado. Ela passou a acreditar mais facilmente numa amizade verdadeira do que num laço genético tóxico e deixou de se preocupar com as ilações de conveniência.
Lá no fundo, ela ainda é uma menina obediente, sensível e frágil e será sempre, aos olhos de quem lhe consegue ver a alma contudo, a menina fez emergir uma mulher cheia de garra, boa disposição e excelentes energias. Uma mulher que não se coíbe em ser feliz e fazer o maior esforço possível para o dia de amanhã ser muito melhor que o de hoje. Uma mulher que gosta de rir, de fazer rir, de cantar, de dançar, de apontar o dedo mas também, de se olhar no espelho quando falha. 
Aquela menina aprendeu a ver a vida pelos seus olhos e deu olhos a ver, a quem ela fez nascer. A estes seres maravilhosos que lhe saíram de dentro das entranhas deu liberdade suficiente e ensinou-lhes o sentido da responsabilidade e mais do que tudo, do amor. 
Aprendeu a ler-lhes no olhar e deixou-lhes entrar para sempre na sua alma. Elas sim conhecem-na na totalidade, o bem o o menos bem porque isto de ser perfeito é só nos contos de fada e ela é, na verdade, genuinamente autêntica...nada mais nada menos.

23/05/2016

Hoje é o dia da Mãe

Mãe...
A gigantesca distância que existe entre nós é meramente factual e tentarei nunca mais te julgar por isso.
Devo entretanto, dizer-te muito claramente que não tens culpa de nada, ninguém tem e ao mesmo tempo todos temos, acho eu. Trato-te por tu porque é assim o tratamento que eu e as minhas filhas temos umas com as outras. É carinhoso, mostra proximidade e sobretudo, a grande e síncera amizade que nos une como mãe e filhas.
Demorei imensos anos e julgo que foram os suficientes para escrever esta mensagem. Foi preciso que eu percebesse que as famílias não são perfeitas como eu pensava que eram quando tinha 15 anos, que eu pudesse perceber que as mães, não são todas iguais mesmo que eu teimasse em querer que minha fosse como eu sempre sonhei que fosse.
Contigo aprendi a interiorizar aprendizagens pessoais que me foram muito úteis quando fui mãe e é exactamente por este motivo que depois de estar longe tantos anos (física e sentimentalmente) me sinto fortemente compelida em escrever esta mensagem.
Julgo que te farei feliz se te disser que me lembro de alguns momentos felizes na nossa vivência, eles existiram e sabes que mais? Eu fui muito feliz. Não me recordo da festa do meu 1.º aniversário, apesar de haver fotos que o comprovem mas, lembro-me já bastante crescida de me deitar no teu colo por alguns momentos e sentir o teu cheiro. Nunca mais me esquecerei, foi mágico.
Contigo aprendi que quando eu fosse mãe das minhas filhas, tinha de falar com elas sobre todos os assuntos. Nunca na vida iria permitir que elas soubessem da menstruação pelas colegas da escola, como eu soube, que tivessem vergonha ou medo de falarem de qualquer assunto mesmo sabendo que eu me ia passar da cabeça com algum disparate que tivessem feito, não conceberia não lhes dizer que as amo várias vezes por dia e ouvir da voz delas a mesma expressão e sentimento. Eu tinha de fazer diferente daquilo que me aconteceu, eu tinha de mudar o filme pois, doutra forma, eu estaria a repetir uma película gasta pelo tempo. Julgo que esta é uma das lições a que me propus viver quando escolhi ser tua filha e só agora sinto-me em condições de expressar o meu agradecimento pelo facto de tudo o que eu vivi contigo me ter ajudado a ter crescido como mãe, como pessoa. 
Até há pouco tempo eu não percebia a razão pela qual a nossa relação mãe/filha era tão estranha mas, agora percebo. Ambas tivemos de viver estas experiências para crescermos como seres humanos e para as nossas almas ficarem mais evoluídas.
Só consegui este género de aprendizagem porque prometi a mim própria ainda muito jovem que tentaria ser uma pessoa melhor, todos os dias da minha vida, custasse o que custasse. 
Eu tive medo, medo que a nossa realidade mãe/filha fosse única no mundo, medo da incompreensão, medo das opiniões dos outros, medo das aparências, medo de deixar passar a oportunidade para te dizer que apesar de te amar imenso porque és a minha mãe, não podia permitir que me magoasses mais...e sabes mãe, o sofrimento e a angústia acaba exactamente quando tem de acabar, no momento certo. 
Imagino que a tua infância não tenha sido fácil e não encontro outra explicação para tantas mágoas interiorizadas e tantos recalcamentos. Tenho pena que nunca tenhas tido a capacidade de desabafar connosco sobre aquilo que te apoquentou, teria sido muito mais fácil para todos nós. Teria sido menos penoso para ti...
Sou uma pessoa cheia de defeitos mas deves reconhecer que tentei, sempre, ser uma filha exemplar. Esta tentativa de agradar transformou-me numa pessoa muito exigente a nível pessoal, à procura da perfeição. É um defeito chato que não me permite levar a vida de forma descontraída. 
Tentei fazer com que tivesses orgulho em mim como criança, jovem, estudante, mulher e, sabes mãe, não viverei mais na sombra de uma ilusão, não me permito sofrer mais um dia sem dizer-te que também tu não mereces sofrer.  
Este ano perdi uma pessoa de quem eu gostava imenso e esta perda fez com que a minha perspectiva da vida se alterasse quase completamente.
Se calhar os meus irmãos não irão perceber patavina daquilo que aqui escrevo, dos sentimentos que carregam cada uma destas palavras mas, tenho a certeza que a mãe entenderá, tenho a certeza que sim.
Esta é uma conversa nossa e de quem souber interpretá-la de forma correcta. Não é uma conversa de cobrança, é na verdade um agradecimento pois, sou quem sou e agradeço-o com imenso orgulho a pessoa que sou, a ti, mãe.
Podemos ficar em paz uma com a outra? Se quiseres e te sentires confortável contigo própria, podes dizer baixinho só para o teu coração ouvir: Sim, filha. Podemos ficar em paz uma com a outra e sabes que mais? Eu te amo... 
Para mim seria suficiente.

19/03/2016

Feliz dia, Pai.

Estou longe, fisicamente, do meu Pai e lembro-me dele todos os dias independentemente de haver um dia oficial ou não. 
Hoje apraz-me reforçar que tenho o melhor Pai do mundo!

01/06/2015

Detalhes

Se não fosse por causa do dia da criança eu não estaria aqui neste local e neste momento, a escrever este post. 
São estes pequenos pormenores que fazem toda a diferença na nossa vida. Nem sempre nos lembramos que uma simples atitude pode mudar radicalmente o nosso percurso...

20/03/2015

Ele

Ontem liguei-lhe para ouvir a sua voz e saber se está tudo bem. Ele, do outro lado da linha, respondeu-me inicialmente com a voz embargada em lágrimas que morre um pouco todos os dias de tantas saudades que tem de mim. Depois de conversarmos um pouco e antes de desligarmos a chamada ele disse: EU AMO VOCÊ!
Ganhei o dia e o meu Pai também!

10/02/2015

Quando nasceste eu ainda era uma criança

Prometi no dia dos teus anos que te ia escrever um post. Em verdade sinto necessidade de exprimir algumas palavras sobre a nossa relação (sim porque nós tivemos uma grande relação). Lamentavelmente fiquei doente, muito doente e só agora me sinto em condições de te dedicar este post.
Vivi a gravidez da tua mãe de perto e julgo que nem mesmo ela, conseguia imaginar aquilo que eu pensava ao ver que dentro daquela barriga estava a crescer uma criança. Como sabes, lá em casa nunca houve abertura para falar de alguns assuntos e determinados temas (para não dizer quase todos), eram verdadeiros tabus. Não me lembro exactamente como encaixei na minha ingenuidade de menina, a tua concepção mas a verdade é que já existias. Na verdade, não foste uma opção daquele género, vamos lá ver se esta gravidez vai até ao fim ou se vai ser interrompida. Tenho a certeza, daquilo que me lembro, que a tua mãe nunca chegou a colocar outra opção senão, ter-te ao lado dela desse para o que desse. E assim foi... 
Eu tenho de confessar que senti um misto daquilo que para mim era um verdadeiro desconhecimento, com a realidade que em breve irias fazer parte do clã Alvarenga. 
Pede a tua mãe que te conte o que aconteceu quando as águas arrebentaram, no dia que nasceste.
Não sei se alguém teve a oportunidade de te dizer, epsis verbis, até à data de hoje, que o teu nascimento foi uma bênção. É verdade que uma criança trás muitas alegrias e no teu caso, trouxeste uma lufada de vida ao nosso clã.
Eu tive ciúmes de ti, muitos ciúmes, inexplicáveis ciúmes...Ao mesmo tempo que trouxeste muitas alegrias à família, trouxeste-me muitas dúvidas existenciais.
Naquela altura tudo era tão difícil para mim e eu enquadrava a realidade que muitas vezes, era eu quem tinha de tomar conta de ti. Matava-me a estudar e não tinha as notas que eu merecia ter, não tinha as roupas que as minhas colegas tinham, não tinha os brinquedos da moda, não tinha um quarto só para mim e quanto ao amor da família, era tudo tão complicado de perceber...Eu era uma adolescente típica, numa família tão conservadora que até metia medo ao susto. Eu estava perdida e só via em ti, alguém que tinha chegado para tirar as atenções daquele que eu mais amava na vida. Só muito mais tarde consegui entender que o coração de um pai como o meu (teu avô), tem um tamanho infinito. 
Salvei-te a vida uma vez e se eu não tivesse conseguido te tirar aquela porcaria da garganta, nem sei o que seria de mim, o que seria de nós. Tinhas de estar ao nosso lado...num instinto de momento, enfiei os meus dedos na tua garganta e tirei de lá algo que por descuido, numa brincadeira, tinhas engolido e ficou entravado sem perspectivas de sair naturalmente. Magoei-te a sério mas o resultado foi o melhor que nos podia ter acontecido...voltaste a respirar.
Ainda eras uma criança quando fui ao encontro do meu amor e desde esta altura, deixamos de conviver contudo, apesar de não termos convivido durante todos estes anos quero que saibas, ocupas um lugar especial no meu coração.
Um beijinho especial para ti Bárbara Caroline e muitas felicidades!

09/01/2015

Quem é bébé hoje, quem é?

O meu Pai...aquele que me fez em muitos sentidos, ser assim como sou. 
Foi com os seus ensinamentos que fui interiorizando desde muito cedo, ainda sem ter a noção que aquelas ideias estavam-se a entranhar em mim, que temos de ser verdadeiros. Sempre que escrevo sobre ele, é uma das primeiras palavras que me surge naturalmente e de forma involuntária, à cabeça. Talvez, isso queira dizer muito mais do que alguma vez fui capaz de discernir sozinha. Fez-me acreditar em sonhos, sentir o calor do seu colo e do seu cheiro como se neste exacto momento, bastasse eu fechar os olhos e viajar no tempo para voltar a sentir aquele aconchego. 
Foi um Pai presente e preocupado como não me canso de dizer. Em nenhum momento do meu crescimento tive a preocupação em ser a filha preferida pois, o amor que eu recebia era o suficiente para me fazer esquecer muitas das dificuldades que senti ao longo da minha adolescência/juventude. 
Tenho de agradecer ao meu Pai por me ter sempre dito, literalmente com todas as letras, que me amava. Ainda hoje e sempre que falamos ao telefone, apesar da sua voz embargada de emoções lágrimas consegue verbalizar aquilo que sente por mim. Ele soube e continua a saber amar...
Sabe Pai, eu já te disse milhões de vezes e não me cansarei de dizer que eu também te amo muito. 
Para te fazer rir um pouco, peço-te que imagine que eu estou ao teu lado, mesmo junto ao teu ouvido e, mesmo sabendo que já não tens a mesma audição de outrora, faz de conta que te estou a sussurrar, com sotaque de Portugal (este pormenor é importante)...
...Amo-te Pai e vou ter este sentimento para sempre e até ao infinito. É a minha expressão de amor com humor, que te quero deixar este ano.

21/11/2014

O sentido do nome deste vinho, só os brasileiros entendem...

Uma valente "periquita" com 3 litros, pelo módico valor de 67 euros e 80 cêntimos, no Jumbo (Pão-de-Açúcar), do Centro Comercial Dolce Vita Tejo. 

06/11/2014

Dedicado ao meu irmão mais velho - FELIZ ANIVERSÁRIO

[1978 - Rosângela-9 anos; Jorge-16 anos]
Hoje é o dia de aniversário do meu irmão mais velho. O único dos irmãos que não tem um nome começado com a letra R. A escolha do nome aconteceu em honra de São Jorge porque contam os nossos pais, que a gravidez esteve em risco e que o pequeno nasceu prematuro, então, eles fizeram uma promessa para o Santo que luta com o Dragão, na esperança que as coisas corressem pelo melhor...e o pequeno prematuro, Jorge de seu nome, aguentou-se como um lutador. Dos 4 irmãos, ele é o mais alto ou pelo menos acho que ainda é.
Fomos sempre próximos um do outro e tendo em conta a  nossa diferença de idades, ele foi sempre o meu paitrector (mistura de pai com protector), pelo menos era assim que eu o via e sentia a nossa relação.
Era um rapaz muito estudioso, andava sempre à volta dos livros e era bom aluno, com boas notas e um bom filho. Era o primogénito e este posto dava-lhe alguns privilégios de uma sociedade conservadora e machista que nunca consegui entender muito bem mas, era a conveniência de outros tempos onde as meninas não tinham de entender nada, tinham de ser obedientes e sem rebeldias pelo caminho.
Lembro como se fosse ontem quando ele concorreu para a Universidade de Brasília (difícil como tudo) e julgo que em simultâneo, concorreu também para a Academia da Força Aérea Brasileira. Queria ser Piloto de aviões e ainda fez umas voatanas! Fez carreira na intendência mas tem um cunhado que é Comandante. Alguém tem de voar na família não é?
Viveu uma grande parte da sua vida em Pirassunga (AFA) e nunca mais voltou definitivamente para a casa dos nossos pais. Vinha de férias e tinha uma paciência santa em explicar aqui para esta menina (na altura), todas as dúvidas que eu tinha na tão dolorosa matemática que teimava em me deitar abaixo. Ele explicava e eu não entendia. Ele explicava novamente e eu não entendia mesmo nada, então, eu chorava copiosamente porque tinha medo da matemática, tinha medo de ter más notas, tinha medo de decepcionar o meu pai que tanto se esforçava para conseguir que eu tivesse direito à bolsa de estudo, para que eu pudesse estudar em colégios onde andavam os filhos dos senadores, dos deputados e outros da elite de Brasília. Meu irmão era paciente mesmo sem entender a razão da minha lentidão de raciocínio numa matéria que ele dominava na perfeição.
Foi ficando muito escassa a nossa convivência por questões naturais da vida e meu irmão deixou de me conhecer. Não me viu crescer em certos aspectos e não sabia aquilo que me fazia feliz e o que me entristecia. Seguiu a sua vida mas nunca deixou de ter um lugar especial no meu coração. Parabéns pelo teu aniversário e muitas felicidades!

11/08/2014

Missão de Paz

Tenho um verdadeiro orgulho em partilhar este vídeo. 
Meu irmão que aparece no filme (1:25:00), fez parte do apoio humanitário e resgate das vítimas do terremoto que aconteceu no Haiti. 
A melhor medalha de honra, mérito e louvor que este homens e mulheres podem ter é sem sombra de dúvidas, todas as vidas que conseguiram salvar. 

10/04/2014

Dia das irmãs

Lá estou eu embaída no dia das irmãs. Hoje, quando vinha para o trabalho, ouvi na rádio comercial uma série de tesourinhos sobre siblings. Tenho a sorte, ou não, de ser a filha mais nova de quatro irmãos. A minha irmã tem apenas alguns anos de diferença comigo contudo, quando éramos crianças, esta diferença notava-se mais. Hoje somos mulheres crescidas, mães dos nossos filhos e amigas uma da outra. Nada conseguirá desfazer os laços que nos unem e a cumplicidade de entendermos uma à outra sem cobranças e sem devaneios. Respeitamo-nos na igualdade e na diferença e temos muitas saudades, indubitavelmente, uma da outra.
Para ti mana, que tens como eu o nome parecido com uma rosa, deixo um beijo especialmente cheio de ternura, em nome de todos os momentos que vivemos juntas.

19/03/2014

José de Alvarenga, o meu PAI

Sou Mãe e não sei o que é ser Pai contudo, sei exactamente o significado de ser filha. 
Tive um pai à antiga, daqueles que impunha grande respeito e limitava muito claramente a linha que separava nós, os filhos, dele. Não eram precisas muitas palmadas (só me lembro de uma ligeira palmada, muito ligeira...mas que doeu na alma)
Quando algum dos meus irmãos fazia alguma asneira e tentava fugir às responsabilidades, havia uma formação quase militar onde fazíamos uma fila indiana, do mais velho para o mais novo e lá íamos andando ao ritmo das bolachadas nas palmas das mãos (com chinelas havaianas), até que o "culpado" se pronunciasse. Nunca chegava à minha vez e, se chegava, aquele Senhor sabia que naquela palminha de mão tão minúscula, não cabia nada para além de beijinhos. Ele via a minha cara de assustada e dava-me uma palmadinha quase a pedir desculpas. Hoje, à luz da distância, tenho a certeza que meu pai sempre soube quem era o autor das diabruras. Ele sempre soube.
Já não vejo o meu pai desde 2012. Na última vez que estive com ele, soube-me tão bem, soube-me a pouco. Continuo a achar que o meu pai é um Homem lindo, super ponderado, carinhoso, amigo e muito querido. Está cheio de cabelos brancos; os poucos que lhe restam na cabeça, nos braços, nas pernas e até se me for permitido dizer, no coração. Tantos cabelos brancos, são simplesmente sinais de muita paciência e muita dignidade.
Achava que meu pai era perfeito. Com o passar dos anos pude verificar que ele é tal e qual todos os outros seres humanos, tem falhas e já cometeu erros e, isto faz com que ele seja ainda mais especial para mim. Ele é perfeito aos meus olhos e sempre o será.
Em determinados momentos da minha vida, senti tanto a falta do meu pai que julguei não ser capaz de superar os problemas com os quais me deparei no entanto, ultrapassei tudo sem sequer o preocupar com as minhas aflições.
As vicissitudes da vida permitiram-me olhar para o meu pai de uma forma realista ou seja, sem o encanto normal e completa cumplicidade que existe normalmente, nas relações entre pais e filhas. A leitura que faço daquilo que percepciono é substancialmente positivo. Tenho um pai cinco estrelas que apesar da distância está diariamente nos meus pensamentos. 
Pai, amo-te à Portuguesa e te amo à brasileira!

13/01/2014

2012 - O regresso ao Brasil

Tenho uma enorme facilidade para memorizar datas de aniversário, situações e momentos que marcaram a minha vida. Como não consigo carregar num botão e escolher o modo de memória selectiva,  sou muitas vezes confrontada com algumas memórias que deviam ter caído no esquecimento. Limito-me a tentar varrer as memórias indesejáveis para a gaveta de onde não deviam ter saído.
Esta cena da memória tem as suas vantagens pois, lembro-me das datas de aniversário de muitas pessoas (inclusive aquelas que não vejo há muito tempo). Funciona como um "app" que está sempre em funcionamento dentro desta carola.
Hoje lembrei-me da viagem que estava a fazer há dois anos atrás. Neste preciso momento, em 2012, eu estava a sobrevoar o oceano, já tinha visto o sol nascer em Paris e bebido um flute de champanhe à caminho do Rio de Janeiro. 
No aeroporto do Rio, enquanto esperava a minha irmã e meu cunhado que estavam a chegar de Itália para irmos juntos para Brasília, tive várias lembranças de muitas férias de verão, do meu tempo de criança, naquela que é considerada a cidade maravilhosa.
E a vida é mesmo assim...já se passaram dois anos. Sniff!

09/01/2014

Parabéns Pai


Mesmo à distância, continuo a falar mentalmente consigo todos os dias. Não são raras as ocasiões em que me lembro de todos os seus conselhos e ensinamentos. 
Eu até podia gravar um vídeo a cantar esta música maravilhosa como uma homenagem no seu aniversário contudo, eu ia estragar a magia do momento. Sendo assim, deixo o meu presente na versão super emocionada do Roberto Carlos com o Michel Teló.

Esses seus cabelos brancos, bonitos
Esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas num grito
Me ensinando tanto do mundo
E esses passos lentos de agora
Caminhando sempre comigo
Já correram tanto na vida
Meu querido, meu velho, meu amigo

Sua vida cheia de histórias

E essas rugas marcadas pelo tempo
Lembranças de antigas vitórias
Ou lágrimas choradas ao vento
Sua voz macia me acalma
E me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo

Seu passado vive presente

Nas experiências contidas
Nesse coração consciente
Da beleza das coisas da vida
Seu sorriso franco me anima
Seu conselho certo me ensina
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Eu já lhe falei de tudo

Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto
Olhando seus cabelos tão bonitos
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

19/11/2013

Quase Brasil...Portugal Olé!

Depois da 1ª mão, do play off que vai dar direito à presença no Mundial do Brasil, a família Baptista está em pulgas para ver o jogo com a Suécia, daqui a minutos. Não quero saber quem vai marcar os golos para a nossa selecção, desde que a bola entre na baliza certa e coloque a malta aqui de casa a gritar feito malucos, para mim está tudo bem. Que venha o golo do melhor jogador do mundo, do mais pequenino do plantel e até do guarda-redes (desde que seja na baliza do adversário). Se marcar o Nani, também fico muito feliz mas gostava mesmo era que o passe ou o próprio golo, fosse de um compatriota meu, o Pepe.

04/11/2013

Encontros e desencontros

Ontem aconteceu algo inesperado que me deixou muito feliz. Uma amiga de infância encontrou o meu contacto no facebook e pediu-me amizade. Depois de quase trinta anos, separadas por várias vicissitudes da vida, foi com uma enorme emoção que pudemos colocar uma ínfima parte da conversa em dia. As agradáveis lembranças dos tempos das brincadeiras de rua, fizeram a nossa delícia de uma curta conversa.
Estamos diferentes, somos mulheres e ambas temos família contudo, os laços que um dia nos uniram estarão sempre nas nossas memórias. 
Não restam dúvidas, o facebook pode ser uma rede social de encontros fabulosos se estamos resolvidos, se estamos prontos para encarar o nosso passado como um verdadeiro contributo para aquilo que somos, aquilo que contribuímos para os outros e para as ilações das nossas opções de vida...para a nossa felicidade. 
Denise, adorei o facto de nunca teres desistido de me encontrar. Mesmo depois de tantas mudanças nas nossas vidas, de seguirmos rumos tão diferentes daqueles que um dia sonhamos nas nossas brincadeiras de crianças, foi maravilhoso te reencontrar.